segunda-feira, 8 de setembro de 2008

RITMOS DA VIOLA CAIPIRA

TOADA
Não se sabe ao certo a origem desse ritmo. Parece mesmo estar associado à natureza, ao ciclo ondulante do vai-e-vem do vento sobre as folhas e das águas a rolar. É o ritmo que geralmente introduz o neófito à música caipira, seja o músico, seja o ouvinte, por ser simples e ter dado origens a peças singelas, porém de rara beleza como boa parte das obras de João Pacífico como "Cabocla Tereza", "Pingo d'Água", "Chico Mulato" entre tantas, ou mesmo por assemelhar-se aos ritmos românticos e lentos da música popular. Traduz geralmente histórias saudosistas, melancólicas e narrativas de casos ocorridos ou fictícios, embasados no dia-a-dia do homem do campo. Vejamos o diagrama de movimento da mão direita sugerida para este ritmo
QUERUMANA
Viva São Gonçalo, protetor de nóis tudo! Dando seqüência ao nosso aprendizado progressivo, vamos ver hoje um ritmo muito tradicional, denominado de "Querumana". Este ritmo veio de uma dança paranaense, a "quero-mana", e geralmente utilizada na música caipira com temática variada, seja bucólica (exaltação à natureza), saudosista, romântica ou o dia-a-dia do caipira. A pulsação deste ritmo é um binário composto 6/8 (seis por oito), o qual para fins didáticos podemos dividí-lo em seis partes iguais, seguindo uma recitação oral contínua: um, dois, três, quatro, cinco, seis/zum, dois, três, quatro, cinco, seis/zum, dois, três, quatro, cinco, seis/..., sendo que os numerais grifados devem ser abafados quando da execução da batida, como segue:
CURURU
Dando continuidade ao nosso aprendizado veremos hoje o ritmo denominado “cururu”, um dos mais populares e executados da música caipira, por ser talvez muito antigo. Alguns historiadores admitem a possibilidade de que a palavra “cururu” tenha se originado de uma corruptela indígena da palavra “cruz” (da “dança de Santa Cruz”, trazida pelos jesuítas). Mostraremos a seguir, uma das maneiras, porém bastante didática de se executar a levada:
CORTA JACA
Nesta edição vamos explorar um ritmo muito gostoso de se tocar, porém poucos violeiros o executam. Trata-se do “corta-jaca”. É muito semelhante ao “cururu”, visto que muitos até deixam passar a sutileza de seu toque executando em “cururu” uma música que foi feita para se tocar em “corta-jaca”. Este ritmo é uma dança típica encontrada em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, cuja origem é desconhecida. Caracteriza-se pela movimentação dos pés sempre muito juntos e quase sem flexão das pernas, onde os pés movimentam-se da mesma forma que uma navalha passando contínuamente sobre um assentador de barbeiro.
BATUQUE
Dando continuidade ao aprendizado da nossa maior riqueza da música caipira, seus diversos e variados ritmos, apren-deremos hoje um ritmo que, quando bem dominado, ajuda a desenvoltura da mão direita e, quando se canta e toca ao mesmo tempo, melhora as funções cognitivas da coordenação motora. O “batuque”, antiga dança de nítidas raízes africanas, foi incorporada na música caipira, principalmente nas regiões das Gerais onde é mais utilizado. Nesta edição, vamos explorar a “levada” e na próxima, o ponteado do batuque mineiro.
BALADA
Não sei se vocês estão percebendo, mas já viram quanto se tem falado de viola caipira ultimamente nos meios de comunicação, principalmente na mídia televisiva?Pois é..., vejam quanto barulho estamos fazendo, e não adianta esconder o sol com a peneira, visto que a viola corre no sangue do povo brasileiro. Não há quem resista a um repicado da da-nada!Para esta edição, escolhemos o ritmo “balada”, comumente conhecido aqui no su-deste urbano por assemelhar-se a ritmos da música popular, seja nacional ou estrangeira.Vamos lá:
CATERETÊ
Vamos, nesta edição, explorar um ritmo muito antigo e tradicional, o “cateretê”.Em muitas partes do Brasil o cateretê é tido como sinônimo de catira. No entanto, catira é uma dança, composta de palmeados e sapateados, realizada sob diversos ritmos, entre eles o recortado, a chula, a moda de viola, e também o cateretê.
Dependendo do andamento da composição, lento ou rápido, os compassos percebidos podem ser quaternário ou binário, respectiva-mente.
MODA DE VIOLA
É muito comum quando algum entusiasta da música de raiz solicita a um violeiro para executar uma música daquelas “boa”, a solicitação vem assim: - Toca aí aquela moda...”. No entanto, sabemos que “moda de viola” é um gênero específico, não se confundindo com as toadas, cateretês, guarânias, etc.
A “moda de viola” ou a “moda caipira” é situada como uma das mais importantes manifestações artísticas das regiões Sudeste e Centro-sul do Brasil. Suas origens remontam a difusão do romanceiro tradicional ibérico pelos jesuítas portugueses.Fato interessante e comum nas modas de viola é a caracterização do “cantador-violeiro” como um herói caboclo, bem como a adoção da figura do “boi”, muitas vezes simbolicamente personificado na figura do boiadeiro, geralmente o narrador da saga.Talvez pela dificuldade de acesso às informações, principalmente no que tange à formação de acordes e estruturas rítmicas, a moda de viola é extremamente difundida na base prática da viola caipira, sendo muito comum encontrar violeiros com grande facilidade na execução do repertório de modas, mas que porém, não tocam ou desconhecem as levadas dos outros ritmos tradicionais como cururu, toada, etc.
A arte da execução da moda de viola consiste em pontear e cantar ao mesmo tempo. Para cada sílaba melódica, um dueto na viola. Quando cantada em dupla, a primeira voz faz a melodia e a segunda voz em intervalo de 3ª, acima ou abaixo da primeira voz (muitos pensam que a 2ª voz é sempre a mais grave, no entanto isso não é uma regra).Considerado um dos maiores “modeiros” que já existiu, Adauto Ezequiel, ou como é mais conhecido, o “Carreirinho”, teve na moda de viola uma maestria insuperável. Suas narrativas cativantes, seus desfechos brilhantes e sua perspicácia nos levam a uma viagem mental que nos colocam bem vivos no centro da história, como se imaginásse-mos estar vivendo aquele momento. Todas as suas modas dariam excelentes “vídeos-
PAGODE DE VIOLA
Vamos retomar hoje nossas raízes! Iremos nos ater nesta edição (e na próxima) ao estudo do “pagode de viola” ou “pagode caipira”. Um verdadeiro tesouro sobre a vida e a obra do “Rei do Pagode” Tião Carreiro, encontramos nas edições anteriores da nossa Revista Viola Caipira. Sendo assim, vamos estudar o mo-vimento das mãos quando executamos o pagode, assim simplesmente denominado entre nós.
Mão Direita: responsável pela marcação do ritmo, a execução da “batida” ou “levada”. O pagode é um ritmo binário (2 tempos), com seis movimentos inseridos nestes dois tempos, porém, com duração e características diferentes, assim sendo:


2 comentários:

Petita disse...

Oi diliça!
Tem um blog e eu nem sabia!!!!
Bjus

Edson disse...

Serjão, você é a melhor 2a. voz que conheço. Abraço,
Edson.